“Nenhum casamento é sustentável sem amor, responsabilidade e sentido de compromisso”. Foi com estas palavras que Altamiro da Costa Pereira, coordenador do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), abordou esta quarta-feira as relações entre as Universidades e as empresas no domínio da inovação em saúde. O palco foi uma das sessões paralelas ao Encontro com a Inovação em Saúde do Health Cluster Portugal, realizado no i3S.

Perante uma sala cheia, coube a quatro oradores, todos eles atores do sistema de inovação nacional e europeu na saúde, debater a transferência de resultados de I&D realizada nas unidades para a indústria. A mesa de debate, moderada por Bruno Santos, co-fundador e CEO da spin-off Immunetep, foi animada e contou também com a participação do público.

Qual será, então, a solução para que Universidades e empresas colaborem, olhando na mesma direção? Para Altamiro da Costa Pereira, as Universidades têm sido “lugares onde o conhecimento é transmitido e criado” e onde os alunos são “educados para publicar”, mas faltam incentivos para a inovação, isto é, para “colocar o conhecimento criado ao serviço da sociedade”. É, por isso, essencial “criar os incentivos e o ambiente para promover a ligação entre as Universidades e a indústria”, acrescenta o coordenador do CINTESIS.

Jorge Correia Pinto, professor na Escola de Medicina da U.Minho e diretor do serviço de cirurgia pediátrica do Hospital de Braga, acredita que o ponto de viragem fundamental é “começar a ensinar aos alunos que o mundo dos negócios é um bom caminho”, referiu. Acrescentou ainda que “ter uma mente aberta para o empreendedorismo é absolutamente crucial e os investigadores têm que olhar para a indústria como um objetivo final”.

A formação dos alunos foi um dos temas mais debatidos pelo painel, sendo unânime a opinião de que se passa mais tempo a ensinar ciência e investigação pura e dura, em detrimento das competências em domínios como os negócios e o empreendedorismo. Paula Oliveira, professora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, concorda que a sua geração foi “formatada para publicar” e que “está na hora de apostar mais na inovação”. Uma opinião partilhada por Bruno Santos, para quem “as universidades têm a educação, que é muito boa, têm as pessoas, têm as incubadoras. No fundo, têm tudo para conseguir fazer esta ponte com a indústria”.

Marton Kis não podia estar mais de acordo. O gestor de inovação em saúde na Universidade Semmelweis da Hungria acha que as “universidades não estão desenhadas para “ventures” e é preciso motivá-las cada vez mais, para que se unam”. Além disso, o especialista em eHealth e inovação, à semelhança do que já tinha referido o professor Altamiro da Costa Pereira, acredita que “quando as partes não se ouvem e não se respeitam, a inovação para”.

Além do diálogo animado entre os oradores, também o público teve oportunidade de participar no debate com as suas opiniões. Em suma, conclui-se que quer as Universidades quer as empresas, poderão lucrar de uma relação harmoniosa entre as partes. E o ingrediente principal é que ambas sejam capazes de dialogar, ultrapassar obstáculos e ter metas comuns. E, como referiu um Altamiro da Costa Pereira, “eventos como este são uma boa maneira de mostrar às pessoas que é possível mudar paradigmas”.

Promovido pelo consórcio UNorte.pt – constituído pela Universidade do Minho, Universidade do Porto e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – o projeto U.Norte Inova resulta de um investimento de 1,12 milhões de euros, cofinanciado pelo Norte 2020, através do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. O projeto tem como objetivo implementar, até 2018, diferentes iniciativas que visam aproximar a oferta da procura de conhecimento e potenciar a inovação do tecido empresarial português.

Notícia escrita em colaboração com Cláudia Azevedo (CINTESIS)