
Corria o ano de 2005, dava o empreendedorismo em Portugal os primeiros passos, quando quatro colegas de faculdade quiserem demonstrar que era possível proteger o ambiente e, ao mesmo tempo, poupar dinheiro. Na altura, muitas empresas ainda viam as questões ambientais como “apenas um custo”, mas a Ecoinside, inspirada em referências internacionais, inovou com conceitos de ecoeficiência mostrando, como referem os seus responsáveis, “que sustentabilidade e competitividade podem caminhar juntas”.
Da ideia e do conceito passaram à concretização, para a qual muito contribuiu a passagem da equipa pelo 1º Curso de Empreendedorismo da Universidade do Porto, uma iniciativa conjunta da U.Porto Inovação e da então Escola de Gestão do Porto, atual Porto Business School. “A Ecoinside introduz a palavra ecoeficiência no léxico empresarial, provando na prática que é possível conciliar ecologia e economia”, referem.
A missão da empresa – uma das primeiras a receber a chancela spin-off U.Porto - é, como referem os seus representantes, “projetar soluções e tecnologias inovadoras que potenciem o desenvolvimento das empresas e das cidades, que contribuam para a descarbonização da economia, para a transição energética e para mitigar as alterações climáticas”. Com essa visão diária, a Ecoinside acompanha organizações que querem alinhar desempenho económico com responsabilidade ambiental e social, procurando ser uma referência na matéria da ecoeficiência e da sustentabilidade.
Atualmente “a Ecoinside ultrapassa os 30 MWp de centrais fotovoltaicas instaladas em Portugal, com a maioria do parque sob operação e manutenção”, referem os seus representantes. Ou seja, tem centrais que, somadas, conseguem produzir até 30 megawatts de potência instantânea no melhor cenário possível”.
Em 2025 o volume de negócios ultrapassou os 5 milhões de euros, com uma equipa com perto de 40 colaboradores. “O objetivo é atingir os 20 milhões de euros em 2030, mantendo o foco no impacto ambiental e social positivo”, dizem. Mas, até chegar aqui, duas décadas de trabalho e investimento se contam.
Da ideia ao cliente, de quatro estudantes a várias dezenas de colaboradores
O percurso da Ecoinside, como o da maioria das PME, passou por altos e baixos. Mas a verdade é que quatro estudantes, que arrancaram apenas com uma ideia em 2005, conseguiram sair de um cenário em que conciliavam estudos e empregos ditos “convencionais” com uma ideia que lhes fazia todo o sentido implementar, até ser possível trabalhar nela a tempo inteiro e transformá-la num verdadeiro projeto de vida.
Entre 2010 e 2014, em contexto de crise económica, a Ecoinside deixa de ser “apenas uma empresa de serviços de consultoria para se tornar uma Energy Services Company”, isto é, passa a implementar as soluções que recomenda. Os representantes da empresa referem-se a esta transformação como o “turning point” que viria a definir a trajetória de crescimento dos anos seguintes". Quatro anos depois, em 2018, a empresa ultrapassa pela primeira vez os dois milhões de euros de volume de negócios.
Durante a pandemia a Ecoinside orgulha-se de dizer que “nenhum projeto em carteira foi suspenso”. Nesses anos a que se referem como “de aceleração”, a spin-off foi reconhecida como uma das cinco empresas mais felizes para trabalhar (Happiness Works 2020) e lançou um fundo de investimento de 15 milhões de euros para apoiar empresas na transição energética. Além disso, apresentaram “uma técnica inovadora de instalação de painéis solares com estruturas em betão, desenvolvida em parceria com a Presdouro e a Cimenteira do Louro”, contam.
Em 2024 e 2025 adjudicaram “mais de seis milhões de euros em concursos públicos”, nos quais se incluem “contratos para instalação de centenas de pontos de carregamento elétrico, grandes projetos de requalificação luminosa e centrais fotovoltaicas de grande escala em setores como o agrícola, industrial e de serviços.
Somam-se clientes, seguem-se distinções e prémios
Ao longo de 20 anos foram muitas as conquistas da Ecoinside.
Entre os principais marcos destacam-se os Prémios Greenbiz e GreenEnergy (ANJE, 2011), que reconheceram a spin-off U.Porto pela sua promoção de práticas ecoeficientes e também o reconhecimento, por diversas vezes, do PME Líder e PME Excelência, que certificam a solidez financeira, o desempenho e a competitividade da empresa no tecido empresarial português. Mais recentemente foram distinguidos pelo EUPD Research como “Excelente Instalador Portugal 2023”, um prémio que valoriza a excelência técnica na instalação de centrais fotovoltaicas e o impacto na descarbonização, e ficaram no top 14 na edição de 2025 do Prémio Europeu de Sustentabilidade PME.
Trabalham ou já trabalharam para clientes de renome como é o caso do Banco Espírito Santo, o BPI, Águas de Portugal, Águas do Norte, RTP e Mobi.e ,ou o grupo Jerónimo Martins. Mas a Ecoinside tem também projetos de referência em universidades, hotelaria e autarquias, entre os quais se destacam a instalação fotovoltaica na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, projetos que combinam produção fotovoltaica e mobilidade elétrica (como o da AEP – Associação Empresarial de Portugal), uma intervenção pioneira em eficiência energética na Escola Básica e Secundária de Canelas e a expansão de redes de carregamento de veículos elétricos em vários municípios do país.
Projetos do presente, olhos no futuro
Aos dias de hoje, a Ecoinside está a investir na consolidação de um ecossistema integrado de soluções para a transição energética e sustentabilidade, que liga mobilidade elétrica, produção de energia renovável e inovação tecnológica. Um dos focos centrais atuais da empresa é “o desenvolvimento de tecnologia própria em Investigação & Desenvolvimento (I&D)”, dizem.
Em paralelo, participam em iniciativas de grande escala com impacto nacional (como o Pacto para a Bioeconomia Azul), em projetos ligados à mobilidade elétrica, na implementação de UPACs (Unidades de Produção para AutoConsumo) e apoiam a criação de Comunidades de Energia, “promovendo a produção descentralizada de energia renovável e o seu consumo eficiente por empresas, famílias e municípios”.
Tudo isto demonstra que o trabalho da Ecoinside se move em várias frentes, com um grande “portólio de iniciativas interligadas que acelera a transição energética e a inovação sustentável”, posicionando esta spin-off da Universidade do Porto como um “parceiro estratégico e tecnológico na construção de um futuro mais resiliente e descarbonizado”, referem os seus representantes.
Quando falamos em futuro, O CEO da Ecoinside, António Cunha Pereira, refere que o próximo ano será de “consolidação e aceleração estratégica”. A prioridade da empresa é “executar com excelência os grandes projetos em curso, em áreas como mobilidade elétrica, produção descentralizada de energia renovável e eficiência energética em organizações públicas e privadas”, diz.
Olhando mais para a frente, num horizonte de 20 anos, a Ecoinside pretende trabalhar para ser “uma referência consolidada a nível europeu com soluções integradas de sustentabilidade, não apenas como instalador ou consultor, mas como um verdadeiro arquiteto da transformação energética”, acrescentam. O objetivo é estar na linha da frente da inovação, contribuindo para modelos energéticos mais eficientes, circulares e colaborativos e não crescer apenas em dimensão, mas sim em impacto, reduzindo emissões de carbono de forma efetiva, transformando modelos energéticos tradicionais e criando valor sustentável para empresas, cidades e comunidades.
“Em síntese, a Ecoinside quer ser reconhecida como uma organização que ajudou a tornar a transição energética uma realidade concreta em Portugal e que contribuiu de forma estruturante para uma economia mais resiliente, eficiente e justa do ponto de vista ambiental”, concluem.






