“Um gerador portátil, de rápida e fácil instalação baseado em sistemas aéreos de energia eólica, que permite captar a energia cinética do vento a grandes alturas, onde essa energia é frequentemente mais intensa e mais consistente. O objetivo é fornecer eletricidade a locais onde a rede elétrica não está disponível ou é insuficiente, oferecendo uma alternativa limpa e mais acessível aos geradores a combustível”. É esta a explicação mais direta sobre o UPWIND, dada pelas mentes que, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), o pensaram e desenvolveram.

Segundo Fernando Fontes, líder do projeto, e a sua equipa, as necessidades de energia eólica atuais “não estão adequadamente satisfeitas em muito locais onde a rede elétrica não está disponível, ou é insuficiente”. Falamos, por exemplo, de comunidades remotas ou sítios com necessidades temporárias de eletricidade como construções, minas, ou locais de eventos. Os geradores a combustível que, por norma, são utilizados nestas situações, além de muito poluentes têm elevados custos de operação.

Quando se depararam com este desafio e o UPWIND começou a sair do papel, a equipa estava a trabalhar num projeto europeu onde contactaram com diversas aplicações para as técnicas que estavam a desenvolver. Na altura, uma delas despertou a atenção do grupo: “o controlo do movimento de asas cabladas (papagaios) que poderiam ser utilizadas para captar energia eólica a grande altitude”, relembram.

Inicialmente, a motivação foi resolver a desafiante questão de controlo de movimento. A equipa apresentou o trabalho na Airbone Wind Energy Conference (AWEC) 2015, a principal conferência da área, e depressa se rendeu ao entusiasmo da comunidade que “acredita poder contribuir de forma muito significativa para um dos grandes desafios do nosso tempo: a transição energética”.

E foi esta a motivação principal para a criação do UPWIND: contribuir “para a criação de soluções de energia limpa em comunidades isoladas, uma vez que “desenvolve soluções para o aproveitamento de uma fonte de energia renovável – a energia eólica de alta altitude – que, neste momento, não está a ser explorada”. Como tal, é uma alternativa que pode contribuir muito para a tão importante transição energética, referem os cientistas.

Da equipa fazem parte também: Luís Tiago Paiva, Manuel Fernandes, Sérgio Vinha, Rui da Costa, Conrado Costa e Gabriel Fernandes, todos da FEUP; Dalila Fontes, da Faculdade de Economia da U.Porto (FEP); e Luís Roque, do Instituto Superior de Engenharia do Porto – ISEP.

Energia elétrica limpa, com portabilidade e a baixo custo

O UPWIND destaca-se por ser uma tecnologia capaz de proporcionar energia elétrica de forma limpa, com portabilidade, baixo custo operacional e sem necessidade de reabastecimento de combustível. O gerador, além de portátil, é “de rápida e fácil instalação para produção de eletricidade com base em energia renovável”, explicam os investigadores.

A equipa já tem protótipos a funcionar “em ambiente controlado”. Os próximos passos são “desenvolver ainda mais a ideia, de forma a alcançar um mínimo produto viável, que terá de ser validado e certificado”.

Apesar de, como referem os investigadores, ainda haver muito a ser feito até se alcançar um produto comercializável, o UPWIND tem o potencial de “criar valor acrescentado significativo para a sociedade, contribuindo para um futuro mais limpo, equitativo e sustentável”, refere Fernando Fontes. Além disso, a utilização dos novos geradores permitirá “reduzir a dependência de combustíveis fósseis, alargar o acesso a energia acessível e contribuir para a resiliência energética, fomentando o desenvolvimento económico e social das comunidades beneficiadas”, concluem.

Recorde-se que o projeto UPWIND conquistou o 3.º lugar na edição 2024 do iUP25k, o 2º no BIP Acceleration desse mesmo ano e também foi um dos selecionados na última de edição do BIP PROOF, um programa de financiamento para ideias inovadoras. Além disso, o UPWIND foi selecionado no projeto MPr-2024-8 do Portugal 2030 para um financiamento conjunto que ultrapassa mais de 160 mil euros.